domingo, 10 de fevereiro de 2013

As minhas memórias da marmita

Tinha 14 anos quando comecei a trabalhar. Tinha perdido o ano no liceu e o meu pai para me castigar e me ensinar a vida falou com o meu tio que tinha uma oficina de automóveis para eu ir para lá trabalhar nas férias do liceu. Fui aprender a electricista de automóveis.

A minha mãe preparava-me todos os dias uma malinha com a refeição para levar:
  • Marmita em alumínio de dois andares centrada a meio da mala. Em baixo a sopa e em cima o conduto (sabem o que é isto?) 
  • Do lado direito da mala, um quarto de pão escuro (saudável) e uma garrafinha de gasosa com um pouco de vinho tinto misturado. 
  • Do lado esquerdo da mala, os talheres e a fruta dentro de um saquinho de pano. 
  • No cima uma toalha de mesa pequena e um guardanapo de pano. 
Tinha sorte porque como era da família, em vez de comer a comida fria na oficina, deixava a mala na casa do meu tio logo de manhã e a minha tia dava-me a comida quentinha.

Mais tarde quando fui aprender electrónica e a reparar rádios e televisões já tinha de comer a comida fria. Só quando fui trabalhar para a IBM deixei de levar marmita.

Tempos de racionalidade (não confundir com austeridade) de que já tínhamos perdido o hábito. Hoje esta necessidade está a tornar-se novamente aceitável e já há quem tenha começado a criação de negócios de sucesso nesta área.

E você? Tem vergonha de usar marmita? Ou tem uma veia de empreendedorismo?

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